A violência no campo é crescente desde que se implantou a proibição do direito de portar armas de fogo.

Francisco Turra

O agronegócio vem sendo laureado por todos como exemplo de pujança da economia brasileira. E com razão. Afinal de contas, é correto afirmar que o crescimento econômico brasileiro depende cada vez mais da base rural. Basta olhar as exportações. Sem o agronegócio, o nosso enorme superavit comercial se transformaria em déficit de US$ 1,5 bilhão. O campo participa com 42% da balança comercial e responde por seis a cada dez empregos gerados no país. Mas a praga da violência ameaça gravemente esse desempenho.

Como se não fossem suficientes as inúmeras incertezas que intranqüilizam o produtor brasileiro — flutuação do mercado, elevação dos juros, dos insumos, dos impostos, a falta de investimentos na defesa sanitária, a legislação imprecisa sobre o que se pode plantar ou não —, ele agora também não sabe mais como defender sua propriedade e a própria família. A violência no campo é crescente desde que se implantou a proibição do direito de portar armas de fogo.

Pequenos produtores que, inocentemente, acreditaram na Campanha do Desarmamento promovida pelo Governo e entregaram suas velhas garruchas, estão agora sendo vítimas de criminosos cada vez mais desinibidos, que levam medo e pânico ao meio rural. Os produtores que mantiveram o bacamarte, estão sob fogo cruzado: de um lado, os verdadeiros criminosos, que trazem malefícios muito além do material; do outro, a polícia, que deveria protegê-los, mas, de fato, pode prendê-los por crime inafiançável, caso sejam apanhados portando qualquer arma de fogo, mesmo que seja para auto-defesa.

Se o Governo não consegue garantir a segurança do cidadão, é direito deste defender sua propriedade e a própria vida. A esmagadora maioria dos produtores brasileiros sabe disso. Os sem-terra também sabem. A falta de uma política de segurança para o meio rural pôs todo mundo na ilegalidade: produtores, sem-terra, comerciantes, transportadores, bandidos comuns. Todos são culpados perante a Lei.

Uma das categorias mais penalizadas com a proibição do porte de armas foi a dos caminhoneiros, que transportam o grosso da safra agrícola e são obrigados a enfrentar estradas esburacadas e quadrilhas especializadas em roubo de cargas. O Brasil perde bilhões anualmente com esse tipo de crime. Os caminhoneiros, alvos preferenciais das quadrilhas, se tornaram vítimas sem defesa, ou vítimas fora-da-lei, de acordo com o Estatuto do Desarmamento. Os caminhoneiros terão de se arriscar a ser assaltados e mortos sem resistência ou presos e passar alguns anos na cadeia por andar armados. Uma coisa é certa. O preço do frete também vai subir.

Francisco Turra, deputado federal PP/RS, ex-ministro da Agricultura e presidente da Fundação Milton Campos.

Fonte: MidiaSemMascara.org



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