Brasil pode duplicar área de plantio

Brasil pode duplicar área de plantio

Com o uso de 50 milhões de hectares de pastagens para plantar grãos, País resolveria crise mundial de alimentos

Comentário: Por que não fala das 63 milhões de hectares da Reforma Agrária?

Márcia De Chiara

O Brasil é hoje o único país que tem potencial para resolver no curto prazo a crise mundial de alimentos. O País pode incorporar aos 47 milhões de hectares usados para produzir comida 50 milhões de hectares de pastagens subaproveitadas e com aptidão para agricultura de grãos.

Com isso, é possível dobrar a área com grãos e ampliar em duas vezes e meia o volume da safra de alimentos, atingindo 350 milhões de grãos, sem derrubar uma única árvore, segundo projeções do ex-ministro da Agricultura e presidente do Conselho do Agronegócio da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Rodrigues. Nessa conta, ele considera o crescimento da safra não apenas pela expansão da área, mas também pelo aumento da produtividade, que, segundo ele, na média das lavouras brasileiras, é baixa.

CANA

Além dos grãos, o ex- ministro observa que o País pode multiplicar por sete a área plantada com cana-de-açúcar para produção de etanol sem afetar a produção de comida, que hoje é o alvo dos ataques dos países ricos. Nas suas contas, há 22 milhões de hectares ocupados com pastagens degradadas que são boas para cana-de-açúcar e podem ser aproveitadas. Hoje a cana-de-açúcar destinada ao etanol ocupa 3,6 milhões de hectares.

"O Brasil tem um potencial considerável", afirma Rodrigues. Ele pondera que essa expansão não é algo que ocorre do dia para a noite. Os gargalos são as deficiências de infra-estrutura e falta de financiamentos à produção.

O superintendente técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Ricardo Cotta, faz um alerta semelhante ao do ex-ministro. "O único país que tem condições de encarar a crise de alimentos como uma grande oportunidade é o Brasil."

Para Cotta, o empurrão, que é o estímulo por meio de aumento de preços, já está dado, diante da significativa elevação das cotações dos grãos em geral nos últimos meses. Mas ele enumera uma série de obstáculos ao avanço da produção de grãos nas terras hoje subaproveitadas com pastagens.

O primeiro gargalo é falta de infra-estrutura. "Hoje é impossível aumentar em 10 milhões de toneladas a produção sem enfrentar problemas nos portos, rodovias e ferrovias, quanto mais quase que triplicar a safra", diz Cotta. O governo tem de atrair o capital privado para obras de infra-estrutura com regras claras.

O segundo ponto que segura o avanço da safra de grãos é a falta de financiamento ao produtor. "Hoje apenas 20% dos recursos são provenientes de bancos públicos com taxas de 6,75% ao ano. O restante dos financiamentos (80%) é levantado a taxas de mercado, com juros elevados ou junto às tradings."

Cotta observa também que a expansão de áreas e o aumento da produção encontra barreiras significativas, especialmente nos custos de fertilizantes e de defensivos agrícolas. "Três empresas dominam o mercado de adubos. É pouco concorrencial", diz ele. Com a alta dos preços do petróleo e da concentração do setor, os fertilizantes subiram em um ano entre 80% e 90%. Ele acrescenta que a falta de empenho do Brasil nas negociações internacionais sobre acesso aos mercados é um desestímulo à expansão da produção.

 

Fonte: OESP, Domingo, 27 de Abril de 2008 

 

 


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