Sem ditadura, MST instrumento para impor a Reforma Agrária

Porém a Reforma Agrária socialista era um processo extremamente artificial, destinado a quebrar estruturas tradicionais que tinham feito a grandeza da Nação, e sem comprovar qualquer vantagem econômica ou social efetiva para o trabalhador rural. Punha ademais em risco a produção, contrariava interesses justos e legais dos proprietários de terras, e pesava absurdamente sobre o bolso do contribuinte. Esse conjunto de fatores a tornava dificilmente realizável, sem um governo de força que a impusesse, à maneira de Lenine ou Stalin.

Mas uma ditadura abertamente comunista parecia descartada para o Brasil, após vários intentos fracassados como a Coluna Prestes e as veleidades ideológicas de um João Goulart. O governo militar que se instalou em 1964, apesar de ter produzido uma lei de Reforma Agrária truculenta – o Estatuto da Terra –, tinha sua base de apoio popular justamente nos setores majoritários da Nação que não queriam o socialismo. E, em parte por bom senso, em parte por necessidade, o governo nascido em 1964 acabou por dar à Reforma Agrária apenas uma aplicação parcimoniosa e pouco efetiva.

Aliás, a nosso ver, se outros tivessem sido os rumos dos governantes que se sucederam de 1964 a 1985, eles poderiam ter levado a cabo uma ampla campanha de esclarecimento da opinião pública nacional sobre os verdadeiros objetivos da Reforma Agrária que Jango quis fazer. Teriam com isso, possivelmente, evitado o adormecimento em que caiu grande parte do público em relação a problemas ideológicos vitais para o País. Pois o ser humano tem seu aspecto mais nobre e mais dinâmico exatamente na faculdade de pensar e de querer, e não no fato de ter o estômago cheio. Anticomunistas pobres e comunistas ricos têm sido uma constante em nossa história.

A reação anticomunista do regime militar, excessiva em mais de um lance de repressão policial, foi ao mesmo tempo de um liberalismo ideológico quase absoluto, que permitiu aos esquerdistas se infiltrarem largamente no ensino e nos mass media. E implantou na economia o socialismo. Em suma, o perigo comunista entrou gravemente acrescido na Nova República.
O resultado foi que, a partir de 1985, a esquerda voltou com seu ímpeto ideológico intacto, encontrando como oposição, não mais o povo pensante e reativo da década de 60, mas uma massa voltada primordialmente para seu conforto pessoal e seus interesses particulares.

Descartada, como vimos, a possibilidade para essa esquerda de impor a Reforma Agrária por via ditatorial, restava-lhe aplicá-la pela via democrática. Mas essa via não facilitava as coisas para os agro-reformistas, dado que o povo não estava de nenhum modo convencido da necessidade de uma Reforma Agrária confiscatória.

Como vencer então a resistência popular? Como fazer, dado que a Reforma Agrária era uma etapa necessária para chegar aos objetivos comuno-socialistas? A quebra da estrutura social no campo, base de nossa economia, era uma providência prévia necessária para depois quebrá-la também nas cidades.

A “esquerda católica” lançou-se então, com todo o ímpeto, a formar um esquadrão de pessoas que pudessem exercer, no teatro da Reforma Agrária, o papel violento que estava vedado ao Governo exercer. Surgiram os sem-terra. O proselitismo foi incansável: desempregados, desocupados, marginais, até simpáticos bóias-frias e verdadeiros trabalhadores foram arrebanhados e lançados contra fazendas cuidadosamente escolhidas, mediante planificação feita nas trevas.

É claro que, para pôr em marcha esse plano, contribuíram possantemente todas as facções da esquerda, fossem elas políticas, econômicas, sindicais e mediáticas. Porém, o objetivo só pôde ser levado adiante pela ação da “esquerda católica”. Foi assim que, sob a bandeira da chamada “Teologia da Libertação”, o Brasil viu estupefato que clérigos incitavam e comandavam invasões, sempre presentes nos acampamentos com Missas, Romarias, Pregações e o que mais fosse necessário (dinheiro do Exterior evidentemente...) para forçar as consciências dos que ainda tivessem consciência.